02/03/2010

Perafita não aguentou...

Foi num ambiente familiar banhado pelo vento de sul, pela Ermelinda e pelas tsunamicas e insonorizadas ondas do mar que Perafita apadrinhou, este sábado passado, a mais brilhante e produtiva jam session de que há memória.

Os PQ, ainda que inicialmente reduzidos a uma dimensão criativa e interpretativa mais rítmica, acolheram na segunda parte uma das figuras mais proeminentes do recente Keyboard Awards de Lavra, Mr. Z.  Foi o seu talento como defesa central de um clube regional de topo e a sua argúcia como mestre na computação gráfica - ver trabalhos como o Led Joaquim e Alfaias Agricolas em Pixeis Cartesianos -, que o catapultaram para uma previsivel ainda que ímpar concepção artística musical  e para  uma técnica Malmsteeniana horizontal absolutamente admirável.

No auge da noite, o duo G&A, acabado de regressar da tourné, "Os prazeres no Andar de Baixo", animou a secção vocal conferindo à sessão uma mescla de ironia e intervenção que rasgou fortes aplausos a uma surpreendida plateia, em especial à versão Rap T-Rex de "Atirei o Pau ao Gato" e "Não entres nesse Alfa Pendular meu Amor". Não escapou ao "suicídio colectivo", os covers "Winx" e "A Little Respect", cantados em surdez aparente pelo guitarra ritmo, nem o musical "Variações Sobre um Conjunto de Acordes Ainda que Divorciados e Indeléveis, Facilmente Pimbas" que conferiu meia hora de pura orgia em sentimentos emprestados ou comprados em segunda mão.

O público foi brindado no final com alguns temas a incluir na PQ2010 e ainda, no ancore, já sem rede nem energia eléctrica a alimentar o som e parte da imagem, com o guitarra ritmo que alargou o espectro da estupfacção ao interpretar em pleno fígado, "Não entres nesse Inter-Cidades Amor" e "Não entres nesse Regional Interurbano Cheio de Militares Amor". 

Diz quem lá esteve que ainda houve outro momento mágico, já com meia casa, uma desconhecida que interpretou "A Generosidade do Regaço".

Perafita não será mais a mesma.

CR

25/02/2010

Ten Years After

Recordam-se (Lembram-se) daqueles filmes de terror, antigos, ainda do tempo do Peter Cushing e do Christopher Lee ? Pois! Se calhar não se lembram. No entanto, vou tentar recordar-vos, correndo o risco de ficar muito aquém na descrição, relatando a noite do regresso desses monstros musicais : Os PALE QUAVERS”: A noite estava parecida com uma noite dessas, com efeitos especiais simulando uma (tempestade), “sofisticadíssimos”. Ele era relâmpagos, ele era trovões, ele era vento ciclónico... mesmo assim, dez anos depois e sem qualquer tipo de temor pelos raios enviados por Júpiter, os “mundialmente” famosos “Pale Quavers” regressaram às lides. Isto é, encontraram-se de novo!
Apesar de mais cinco anos em cada perna, o certo, é que não estavam muito diferentes do que eram. Alguns quilitos a mais nuns e a menos noutros, uma ou outra branca em tempos inexistente, mas de resto, estavam todos na mesma.

A ferrugem começava a ser limpa, o dedos e as vozes a aquecer e… “aqui vai disto!”... Iam soltar-se as primeiras notas!

Primeiro, o desenrolar e o desemaranhar dos cabos há muito esquecidos num canto qualquer, onde há tanto tempo aguardavam por aquele dia. Depois, tal como se desembainhava uma espada, foi o retirar dos instrumentos dos respectivos sacos. Toca dali, afina de acolá… já se ia ouvindo alguma coisa.

O baterista, sempre dinâmico e em plena forma, retornou super prevenido. O que quer que fosse necessário, ele, como num passe de mágica fazia aparecer - Et Voilá! O vocalista e guitarra solo, vinha igual ao que sempre foi, irradiando ideias e prometendo um convívio alegre. O guitarra ritmo mas que também “rasgava” umas “malhas” de fazer inveja a muitos, mantinha a sua habitual postura com um requintadíssimo sentido de humor que sempre o caracterizou.

Das duas vozes femininas, só uma lá estava. Esta, espalhando sobriedade e simpatia, lembrava e relembrava letras e musicas que já tinham sido tocadas e ia de certo modo treinando a voz.

Quanto ao “gajo” do baixo, bem… esse sou eu. Não fica bem falar de mim. No entanto, posso dizer que adorei reencontrar velhas amizades, reviver velhos projectos, velhos sonhos… talvez!... Uma curiosidade: apesar de tantos anos sem ninguém lhe mexer, o baixo ainda estava afinado como da última vez que tocou.

Ten Years After, os PQ estavam, bem ou mal, para o melhor ou para o pior, para a graça ou para a desgraça, de novo na “estrada”. Tudo isto passou-se, logicamente à revelia de Alvin Lee , não fosse “o diabo tece-las” e espetar-lhes com um valente processo por usurpação de nome. De qualquer modo, valer-lhes-ia sempre o facto de Ten Years After não querer dizer outra coisa a não ser, dez anos depois e… Dez anos depois…, “wellcome back” PQ !

A. Jorge


22/02/2010

PQ 2010

Os PQ preparam a sua fulgurante reentrada no vulnerável panorama artístico português com uma série de concertos a anunciar e que glosam a PQ2010, a tourné, que após anúncio, lançou o pânico em eventos já programados como o Stone in River 2010 e o Give Cheese a Chance 2011.

A desistência de algumas bandas charneira face à esperada e feroz concorrência, diminuiu largamente a taxa de desemprego e a fuga aos impostos. Não obstante, os PQ, não evidenciando em nenhuma das letras das canções, alguma mensagem política ou ideológica, descobriram por acaso que o seu tema mais conhecido "Always Running", tocado de trás para a frente num gira-discos Pionner - qualquer modelo de 1997 -, fornece as coordenadas GPS dos locais onde foram efectuadas todas as escutas aos políticos e industriais das sucatas entre 1999 a 2009. A PQ2010 é, portanto, aguardada com enorme ansiedade quer pelos inúmeros fãs e sociedade em geral quer pela comunicação social. Escutas efectuadas à própria banda e em breve reveladas no jornal Blitz, dão conta de uma alegada manobra por parte de dois elementos da banda para silenciar grupos como os Xutos e Pontapés, GNR e Deolinda. O nome de David Fonseca foi também mencionado e com ele George Michael e uma marca de sabonetes para bebé.

CR